A Oficina Preparatória de Escrita da 6ª Mostra Goiana de Experiências Exitosas e Inovadoras no SUS, promovida pelo Cosems Goiás, marcou um momento histórico de mobilização dos municípios goianos. A atividade registrou mais de 500 participantes, número recorde que evidencia a força do Sistema Único de Saúde em Goiás e o crescente engajamento das equipes municipais na construção e no compartilhamento de experiências exitosas. Conduzida pela mestre em Comunicação e professora Letícia Jury, a abertura da oficina trouxe um momento de reflexão e sensibilidade, com a leitura do poema da escritora Emily Dickinson: “Se eu puder evitar que um coração se parta, eu não terei vivido em vão; se eu puder aliviar a agonia de uma vida, ou acalentar uma dor, ou ajudar um melro desfalecido a voltar ao seu ninho, eu não terei vivido em vão.” A mensagem conduziu os participantes a uma reflexão essencial sobre o trabalho no SUS: embora muitas vezes se busque algo grandioso, é a capacidade de transformar realidades e fazer diferença concreta na vida das pessoas, dentro do contexto de cada território, que define o verdadeiro valor das ações em saúde pública. Escrita como ferramenta de valorização das experiências Na primeira etapa, foi discutido o processo de reconhecimento de uma boa prática, destacando aspectos fundamentais como: o problema que a experiência exitosa conseguiu resolver; o impacto real gerado na vida das pessoas; o retorno da comunidade atendida; a possibilidade de replicação em outros territórios; a análise baseada em dados e evidências. De acordo com Letícia Jury, os números são importantes para demonstrar resultados, mas não contam toda a história. O que dá vida à escrita é compreender o impacto humano provocado pelas ações. O legado como critério principal Entre os principais aprendizados apresentados, destacou-se o primeiro passo para selecionar uma experiência: escolher uma prática que permaneça mesmo sem quem a criou, ou seja, que deixe legado. Durante a exposição, a professora destacou tópicos considerados importantes para identificar esse legado, como: mudança de mentalidade das equipes; transformação no comportamento dos usuários; criação de novas formas de trabalho; integração entre setores; fortalecimento da articulação em rede. A reflexão reforçou que a melhor prática não é necessariamente a maior ou mais complexa, mas aquela capaz de promover transformação cultural, resolver problemas estruturais e gerar conhecimento compartilhado. Aprender com experiências reais Na segunda parte da oficina, a professora Letícia Jury analisou o exemplo de um projeto premiado em edições anteriores da Mostra Nacional Brasil, Aqui Tem SUS, permitindo compreender, na prática, os critérios que tornam uma iniciativa relevante e replicável. Também foi abordado o uso da inteligência artificial como ferramenta de apoio à escrita técnica. A orientação foi clara: a tecnologia pode auxiliar na revisão e na organização textual, mas não deve substituir a experiência das equipes nem alterar os sentimentos e as vivências expressas nas palavras. Clique aqui para assistir a Oficina na íntegra. SUS forte se constrói com pessoas O recorde de inscrições e participação demonstra o compromisso dos profissionais e gestores municipais com a qualificação permanente e com a valorização das experiências locais. Mais do que apresentar resultados, a oficina reforçou que o SUS se fortalece quando histórias, aprendizados e soluções construídas nos territórios são compartilhados. A expressiva adesão à atividade confirma a Mostra Goiana como um espaço consolidado de troca de saberes e evidencia que, em Goiás, o SUS segue vivo, inovador e centrado no cuidado com as pessoas, onde os números mostram alcance, mas é o impacto na vida da população que realmente faz a diferença.